sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Romance em notas roubadas - IX

«Morei a casa de todas as vontades e este vazio é o largo do meu desencontro por este tempo demorado, apesar das notas roubadas que tanto me orgulham. Relembro o encanto dos falsos heróis da Atlântida. Enrubesciam os lábios irrepreensíveis de ninfas de asas cor do céu.

Nas fachadas dos prédios arquitectos, as janelas abrem e fecham, dividindo-me no confronto do próprio e o reflexo. São as velhas senhoras, que outrora foram meninas também, e as suas histórias que encantam; são os seus fantasmas expirando o charme que jamais me perdeu de vista, um perfume negro singular que cresce apenas nos olhos do abismo, no último sopro e que sempre aproxima-se… Não quero ser herói e falsos somos todos, menos quando nos mudam a fralda. 

Morei a casa de todas as vontades e este vazio é o largo do meu desencontro por este tempo demorado.

Ninguém escapa, que escolhas roubar ou conquistar... Nada mais são que tijolos prontos a usar em torres, castelos, muralhas, simples casas de monte, etc. etc. etc.; Reafirmo, não são só para ti, estes “meros” tijolos passam pelas mãos mais puras ou pelas mais putas que podes ter, por fortuna ou infortúnio, conhecido ou por fado do destino possas ainda vir a encontrar. Vale a pena esperar pelos encontros e pelos desencontros.

Morei a casa de todas as vontades e este vazio é o largo do meu desencontro por este tempo demorado.

Vocês não se lembram (apesar de já vos ter contado), mas interessei-me por estes tijolos ao levantar o muro que um dia inventei para cercar a casa… Aquela, com 8 divisões triangulares, paredes móveis e revestida a vidro no seu limite exterior. Esta parede exterior transparente obrigava a uma visão fixa e contínua para o muro opaco e branco, situação geradora de incertezas, dúvidas e porquês dada a altura indefinida do muro. Os cálculos que efectuei, que tenho vindo a efectuar ainda não me permitiram descobri-la, é alto como a vida.

Morei a casa de todas as vontades e este vazio é o largo do meu desencontro por este tempo demorado.

Obriga-me, o muro, a empurrar a cabeça bem de encontro à nuca para provar que o céu ainda cá está, neste labirinto de sombras.»

Read more...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

A PALAVRA LONGE DE ABERTA - FREE E-BOOK

Read more...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Romance em notas roubadas - VIII

Os dias sucedem-se, rascunhos intermináveis e rasgo, as horas que escrevo, os pensamentos que emendo, entre olhares duvido, num nada procuro… Perco-me nele, no zig zag das manchas… Tinta escusa me assombra e as notas intermináveis não deixam respirar. É angústia, que de sujo acordo. É manhã e continuo a adormecer a monte. Sabe bem e não sabe. Sufoco se não te escrevo, uma epiglote em obstrução... Tento respirar, percebe-te... Intimida-me o reflexo desproporcionado, ri-se ele... Líquido alcalino, icor de palavras por lapidar... Repito-me! Onde estão as notas? Onde está a tinta?

A casa que descrevi a sangue asfixia-me, hoje. Não percebo. Será motivo? Será consequência? Ouço o coração puxado, batendo forte porque enfermo nesta encruzilhada. Agora que tenho tudo, incerteza...

Será este o teu corpo romance? Será? Tusso, o oxigénio resolve novamente intervalar. Será esta cela destino, a nova e final morada? Ou escrevo para saltar de vez esse muro? Abro o cofre, numero as notas escritas. Não sei responder ainda, mas não suportava esta falta de ar:

«Há dias em que encontro motivos... Noutros duvido deles... Acumulo porquês sobre o próprio... Destapo uma definição para o reflexo... Escapo-me às paredes da casa onde habito... Não lhes toco... Olho para baixo... É fundamental que não lhes toque... Desvio-me... Luto para que ainda seja neste tempo... Reforço o motivo... Ou não... Ainda se oferecem motivos? Onde? Não nesta casa... Ou não... Talvez... Aqui ainda sim... Não posso confirmar... Mas também não o posso desmentir... Haverá espaço? Haverá lugar para um verdadeiro motivo? Caberá dentro destas paredes? Servirá? Qual o tamanho correcto dum motivo? Ficará bem vestido no próprio? Em que cor deverá aproximar-se? Só lamento este muro...»

Read more...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Interlúdio

Read more...

  © Blogger templates ProBlogger Template by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP